quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"No mistério da Igreja, Corpo Místico de Cristo, o poder divino do amor muda o coração do homem, dando-lhe a capacidade de comunicar o amor de Deus aos irmãos. Durante tantos séculos, muitos homens e mulheres, transformados pelo amor divino, consagraram a sua existência à causa do Reino. Nas margens do mar da Galileia, muitos deixaram-se conquistar por Jesus: procuravam a cura do corpo ou do espírito e foram tocados pelo poder de sua graça. Outros foram escolhidos pessoalmente por Ele mesmo e tornaram-se seus apóstolos. Encontramos também outras pessoas, como Maria Madalena e outras mulheres, que O seguiram de livre e espontânea vontade, simplesmente por amor e, do mesmo modo que o discípulo João, tiveram um lugar especial em seu coração. Esses homens e essas mulheres, que conheceram o mistério do amor do Pai através de Cristo, representam a multiplicidade das vocações que sempre existiram na Igreja. Maria, Mãe de Jesus, directamente associada, na sua peregrinação de fé, ao mistério da encarnação e da redenção, é o modelo daqueles que são chamados a testemunhar, de modo particular, o amor de Deus."

Papa Bento XVI
(Excerto da mensagem para o 43º dia mundial de oração pelas vocações)


terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Peixe e o Mar - Nós e Deus


Uma vez pediram a um peixe para falar do mar.
- Fala-nos do mar - disseram-lhe.
- Dizem que é muito grande o mar, respondeu o peixe. Dizem que sem ele morreríamos.  Não sou o peixe mais indicado para vos falar do mar. Eu, do mar, o que conheço bem são só estes dez metros à superfície. É só deles que vos posso falar. É aqui que passo o meu tempo, quase sempre distraído. Ando de um lado para o outro, à procura de comida ou simplesmente às voltas com o meu cardume. No meu cardume não se fala do mar. Fala-se das algas, das rochas, das marés, dos peixes grandes e perigosos, dos peixes pequenos e saborosos e de que temperatura fará amanhã. O meu cardume é assim: eles vão e eu vou atrás deles.
.- Mas tu, que és peixe, nunca sentiste o mar?
.- Creio que o sinto, às vezes, ao passar-me nas guelras. Umas vezes sinto-o, outras não. Às vezes sinto-o, quando não me distraio com outras coisas. Fecho os olhos e fico a sentir o mar. Isto tudo de noite, claro, para que os outros não vejam. Diriam que sou louco por dar tempo ao mar.
.- Conheces o mar, portanto. Podes falar-nos do mar?
- Sei que é grande e profundo, mas não vos quero enganar. Sei de peixes que já desceram ao fundo do mar. Quando os ouvi falar percebi que não conheço o mar. Perguntem-lhes a eles, que vos saberão falar do mar. Eu nunca desci muito fundo. Bem, talvez uma ou duas vezes... Um dia as ondas eram tão fortes que eu tive de me deixar levar muito fundo, para não morrer. Nunca lá tinha estado e nunca esquecerei que lá estive. Apenas vos sei falar bem da superfície do mar... 
- Foi mau, quando desceste? Por que voltaste à superfície?
- Não foi mau. Foi muito bom. Havia muita paz, muito silêncio. Era como se fosse lá a minha casa, como se ali eu estivesse inteiro. 
- Por que não voltaste lá ao fundo? Por preguiça?
- Às vezes acho que é preguiça, outras vezes acho que é medo.
- Medo? Mas tu não disseste que era bom? Medo de quê?
- Medo do desconhecido, medo de me perder. Aqui à superfície já estou habituado. Adquiri um certo estatuto para mim mesmo. Controlo as coisas ou, pelo menos, tenho a sensação de as controlar. Lá em baixo não sei bem o que me pode acontecer. Estou todo nas mãos do mar.
- Tiveste medo, quando chegaste ao fundo do mar?
- Não tive medo algum. Era tudo muito simples... E no entanto agora tenho medo... Mas eu não cheguei ao fundo do mar! Apenas estive menos à superfície.
- E que dizem os outros, os que lá estiveram?
- Dizem coisas que eu não entendo. Dizem que é preciso ir para perceber. E dizem que nada há de mais importante na vida de um peixe.
- E explicaram como se vai?
- Aí é que está. Explicam que não se chega lá por esforço, que só podemos fazer esforço em deixar-nos ir. Que é só o mar que nos leva ao mar.
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Então veio uma corrente mais forte que o fazia descer. O peixe tentou lutar contra ela com quantas forças tinha, à medida que vida distanciarem-se as coisas da superfície. Talvez para sempre... Mas depois fechou os olhos, confiou e já sem medo deixou-se ir."


in "O Principe e a Lavadeira"
Pe. Nuno Tovar de Lemos




segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Oração para o Ano Sacerdotal 
(pronunciada pelo Santo Padre em 19/06/09)



Senhor Jesus, que em São João Maria Vianney quisestes dar à Igreja uma intensa imagem da vossa caridade pastoral, fazei que, em sua companhia e animados pelo seu exemplo, vivamos em plenitude este Ano Sacerdotal.
Fazei que, como ele, diante da Eucaristia, possamos aprender quanto é simples e diária a Palavra com que nos ensinais; como é terno o amor com que acolheis os pecadores arrependidos; como é consolador o abandono confiante nas mãos da vossa Mãe Imaculada.


Senhor Jesus, por intercessão do Santo Cura d'Ars, fazei que as famílias cristãs se tornem “pequenas igrejas”, nas quais todas as vocações e todos os carismas, infundidos pelo vosso Espírito, possam ser acolhidos e valorizados. Concedei-nos, Senhor, poder repetir, com o mesmo ardor do Santo Cura d'Ars, as palavras com que costumava dirigir-se a Vós:



Amo-Vos, meu Deus, e meu único desejo é amar-Vos até ao último sopro da minha vida.
Amo-Vos, ó meu Deus infinitamente amável, e prefiro morrer amando-Vos do que viver um só instante sem Vos amar.
Amo-Vos, Senhor, e a única graça que peço é a de Vos amar eternamente.
Meu Deus, se a minha língua não puder dizer a cada instante que Vos amo, quero que meu coração o repita tantas vezes quantas eu respiro.
Amo-Vos, ó meu Divino Salvador, porque Vós fostes crucificado por mim, e me tendes aqui crucificado por Vós.
Meu Deus, dái-me a graça de morrer amando-Vos e sabendo que Vos amo.

Amen.