quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24)

Com os votos de uma santa Quaresma que hoje se inicia, deixamo-vos um pequeno excerto da mensagem do Santo Padre para este tempo. (texto completo aqui)


«Irmãos e irmãs!
A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal. 
...
«Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.

Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.

Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.»

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Comentário vocacional ao Evangelho do 7º Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos – Mc 2,1-12

Quando Jesus entrou de novo em Cafarnaum
e se soube que Ele estava em casa,
juntaram-se tantas pessoas
que já não cabiam sequer em frente da porta;
e Jesus começou a pregar-lhes a palavra.
Trouxeram-Lhe um paralítico, transportado por quatro homens;
e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão,
descobriram o tecto por cima do lugar onde Ele Se encontrava
e, feita assim uma abertura,
desceram a enxerga em que jazia o paralítico.
Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico:
«Filho, os teus pecados estão perdoados».
Estavam ali sentados alguns escribas,
que assim discorriam em seus corações:
«Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar.
Não é só Deus que pode perdoar os pecados?».
Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar,
perguntou-lhes:
«Porque pensais assim nos vossos corações?
Que é mais fácil?
Dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’,
ou dizer: ‘Levanta-te, toma a tua enxerga e anda’?
Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem
tem na terra o poder de perdoar os pecados,
‘Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico –
levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa’».
O homem levantou-se,
tomou a enxerga e saiu diante de toda a gente,
de modo que todos ficaram maravilhados
e glorificavam a Deus, dizendo:
«Nunca vimos coisa assim».



"Filho, os teus pecados estão perdoados."- Em resposta aos esforços daquela gente, Cristo diz algo totalmente inesperado, não solicitado pelo paralítico ou os seus amigos. Eles estavam claramente à procura de uma cura. Cristo oferece uma, mas de natureza diferente: 'Filho, os teus pecados estão perdoados'. Aqui Cristo mostra claramente a primazia do bem-estar/saúde espiritual sobre o nosso conforto físico. Quantas vezes pensamos: ‘Eu tenho a minha saúde e é a maior de todas as bençãos’?Aqui, Jesus lembra-nos do que é verdadeiramente mais importante, sem negar a importância da saúde física. Em outra passagem, Jesus vai ainda mais longe, onde diz: ‘Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e deita-o fora’ (Mt 5: 29a). Portanto, o pecado é um perigo maior do que a doença ou mesmo a morte, e o perdão dos pecados é a maior cura. 
Muitas vezes desejaríamos que Jesus Cristo operasse generosamente tantos milagres agora como o fazia no seu tempo em vida na terra, temos tantas coisas que lhe pedimos e gostaríamos de ver concretizadas... e é fácil esquecer que sempre teremos aquela que é a sua maior graça e milagre: a cura do pecado na Confissão.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Comentário vocacional ao Evangelho do 6º Domingo do Tempo Comum


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos - Mc 1, 40-45

Naquele tempo,
veio ter com Jesus um leproso.
Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe:
«Se quiseres, podes curar-me».
Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse:
«Quero: fica limpo».
No mesmo instante o deixou a lepra
e ele ficou limpo.
Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem:
«Não digas nada a ninguém,
mas vai mostrar-te ao sacerdote
e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou,
para lhes servir de testemunho».
Ele, porém, logo que partiu,
começou a apregoar e a divulgar o que acontecera,
e assim, Jesus já não podia entrar abertamente
em nenhuma cidade.
Ficava fora, em lugares desertos,
e vinham ter com Ele de toda a parte.


"Se quiseres, podes curar-me" - O leproso veio ter com Jesus de joelhos, ele tinha tudo a pedir e nada para dar, excepto a sua confiança. Ele tinha visto ou ouvido o que Jesus havia feito a outros, ele sabia o poder de Jesus, e tirou a sua própria conclusão, não uma conclusão teórica, mas prática.
Num mesmo gesto, ele abriu a Jesus tanto a sua necessidade e sua fé / confiança. Foi fácil para o leproso experimentar repugnância pela sua doença e desejar saúde; pode ser muito mais difícil para nós experimentar a repugnância ao pecado. Só a luz da graça de Deus, e olhando para o que o pecado fez com Cristo na Cruz, podemos abrir a nossa alma para a verdade sobre ele, ver a sua presença em nós mesmos, e aproximarmo-nos de Cristo para nos curarmos. Assim, é de joelhos também que descobrimos a nossa necessidade e nos abrimos para Cristo.Pergunta a ti próprio, o que é que eu preciso e não posso fazer por mim próprio? Se é algo bom, apresenta-o a Jesus, e Ele te atenderá com todo o Seu Amor .

"Quero: fica limpo!" - Jesus não hesita por um segundo. Claro que ele quer fazer o que ele veio à terra para fazer! A porta da sua misericórdia está sempre aberta. Este é o mesmo Jesus que nos espera no sacramento do perdão.Quão natural é pensar que os nossos pecados Lhe vão causar repugnância, que ficará chocado ao ver o nosso estado e, portanto, nos rejeitará. Como é fácil e natural pensar que, por causa da nossa fraqueza, Deus não pode trabalhar connosco e em nós. Esquecemo-nos, estamos enganados, e o demónio tenta que isso não se altere: esquecemo-nos que Deus conhece todas as nossas necessidades antes mesmo de lhe perguntarmos por isso. Ele veio porque nós precisamos de um Salvador, porque somos débeis, e não temos poder para nos curar a nós. Ele espera ansiosamente que nos aproximemos dele. E o maior prazer que Lhe podemos dar, é a oportunidade de nos limpar. 
Na Confissão, Cristo está presente na pessoa do sacerdote. Também o padre de muito tem que abdicar para que se possa tornar um instrumento de Cristo, ao serviço do perdão dos nossos pecados. Quando confessas os teus pecados a Cristo na pessoa de um padre, também é uma grande alegria que Lhe trazes, quando ele vê o Seu próprio sacrifício recompensado, com a oportunidade de te tirar os teus pecados e de te dar a graça de Deus.