domingo, 13 de novembro de 2011

Servo bom e fiel entra na Alegria do Teu Senhor

Um lição em investimento!
A parábola de Nosso Senhor dá-nos a perspectiva da eternidade. Diz-nos que nós entendemos verdadeiramente a nossa vida neste mundo na medida em que entendemos o que vem depois, quando esta vida atingir o seu fim. Ajuda-nos a perceber que, para Jesus, a vida não é para ser vivida nem passivamente nem timidamente nem com medo. Jesus diz "o meu Pai continua a realizar obras até agora" (Jo 5, 17) e quer que nós os imitemos, dispondo dos dons que Ele nos deu de forma a experimentarmos já a Vida Eterna. O Senhor diz-nos que vivamos cada momento como uma oportunidade para fazer algo para Ele. Cada momento da nossa vida chega-nos como mais uma oportunidade de fazer a escolha certa, voltando-nos para Aquele que sacrificou tudo por nós. Cada momento é uma oportunidade de "investir" na Vida Eterna.
Jesus convida-nos a olhar para a nossa vida e vermos se, verdadeiramente, estamos a usar os dons que recebemos segundo as nossas capacidades.

Dá a cada um segundo a sua capacidade!
Deus é nosso Pai e quer que, como Cristãos, tomemos parte no seu projecto de salvação do mundo e que participemos na Alegria dessa mesma Salvação. Quando os desafios de sermos Suas testemunhas e de dizermos Sim à nossa vocação individual nos oprimem, lembremo-nos que o Senhor dá a cada um segundo a sua capacidade. Não se reconhecem os dons do Senhor sem confiar nesse mesmo Senhor.

Não tenhas medo!
Esta parábola mostra-nos quão incapacitante é o medo. O medo faz-nos sempre recuar. O medo faz-nos enterrar oportunidades e evitar dificuldades.
O Senhor quer que ultrapassemos as barreiras do medo. Ele enviou o Espírito Santo aos Apóstolos para que saissem da sala onde o seu medo os fechou. O mesmo Espírito Santo dar-nos-á coragem para encontrarmos os meios de dar uso ao talento que o Senhor nos deu, para Lhe entregarmos o fruto que Ele deseja. A única coisa que devemos temer é não ouvir: "Servo bom e fiel entra na Alegria do Teu Senhor".

Senhor, ajuda-me a viver na Alegria da fé e da confiança em Ti, sabendo que és meu Pai e que me dás em cada dia tudo o que preciso para ser Tua testemunha aqui onde estou em cada dia da minha vida.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Oração para a Semana dos Seminários 2011

Semana dos Seminários 2011

Estamos na semana dos Seminários, que este ano tem o tema:
Formar pastores consagrados totalmente a Deus e ao seu Povo


Deixamo-vos hoje um pequeno excerto da mensagem do presidente da CEVM:


« Formar pastores consagrados totalmente a Deus e ao seu Povo, remete-nos para as palavras do Concílio Vaticano II e centra-nos no essencial da consagração e na beleza da missão do presbítero.
“Formar pastores” implica uma compreensão abrangente da formação, que não se limita à dimensão pastoral propriamente dita, mas abre-se e alarga-se à formação humana, espiritual e intelectual. 

É um longo caminho, este da formação, que começa cedo e não termina com a Ordenação presbiteral. É o moldar do coração e da inteligência aos critérios do evangelho; é o configurar do pensamento e da vida ao jeito de Cristo, o Bom Pastor. No tema desta Semana dos Seminários: Formar pastores consagrados totalmente a Deus e ao seu Povo está subjacente a radicalidade da consagração a Deus e a totalidade da entrega ao Povo. É o apelo ao absoluto, ao definitivo e ao permanente, que é feito aos que são chamados a seguir Jesus. É o fascínio de vivermos atraídos pela beleza das coisas últimas e seduzidos pela ternura do amor de Deus a favor do seu Povo.

Compreendemos, assim, o que nos diz a Exortação Apostólica «Dar-vos-ei Pastores»: “O serviço de amor é o sentido fundamental de toda a vocação, que encontra uma realização específica na vocação do sacerdote: efectivamente, ele é chamado a reviver, na forma mais radical possível, a caridade pastoral de Jesus, isto é, o amor do Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas” (PDV 40).

Este é o objectivo central da formação dos nossos Seminários, percorrendo etapas diferenciadas, em momentos por vezes muito diversos e por caminhos muito distintos, mas tendo sempre no horizonte esta meta última da formação. Ao longo deste tempo de formação, são atitudes, sentimentos e comportamentos que se vão desenhando e definindo; são objectivos específicos, dia a dia concretizados na formação, que se vão alcançando, sempre de olhos postos em Cristo, o Bom Pastor".»

Este e outro material estão disponíveis aqui

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Somos chamados à Santidade

Depois de tanto tempo... estamos de volta para partilhar convosco a palavra de um santo, neste dia de Todos os Santos!

Dos Sermões de São Bernardo, abade.


(Sermo 2: Opera omnia, Ed. Cisterc. 5[1968], 364-368 (Sec. XII)

Corramos para os irmãos que nos esperam

Que aproveitam aos Santos o nosso louvor, a nossa glorificação e até esta mesma solenidade? Para quê tributar honras terrenas a quem o Pai celeste glorifica, segundo a promessa verdadeira do Filho? De que lhes servem os nossos panegíricos? Os Santos não precisam das nossas honras e nada podemos oferecer-lhes com a nossa devoção.

Realmente, venerar a sua memória interessa-nos a nós e não a eles.

Por mim, confesso, com esta evocação sinto-me inflamado por um anelo veemente.

O primeiro desejo que a recordação dos Santos excita ou aumenta em nós é o de gozar da sua amável companhia, de merecermos ser concidadãos e comensais dos espíritos bem-aventurados, de sermos integrados na assembléia dos Patriarcas, na falange dos Profetas, no senado dos Apóstolos, no inumerável exército dos Mártires, na comunidade dos Confessores, nos coros das Virgens; enfim, de nos reunirmos e nos alegrarmos na comunhão de todos os Santos.

Aguarda-nos aquela Igreja dos primogênitos e nós ficamos insensíveis; desejam os Santos a nossa companhia e nós pouco nos importamos; esperam-nos os justos e nós parecemos indiferentes.

Despertemos, finalmente, irmãos. Ressuscitemos com Cristo, procuremos as coisas do alto, saboreemos as coisas do alto. Desejemos os que nos desejam, corramos para os que nos aguardam, preparemo-nos com as aspirações da nossa alma para entrar na presença daqueles que nos esperam. Não devemos apenas desejar a companhia dos Santos, mas também a sua felicidade, ambicionando com fervorosa diligência a glória daqueles por cuja presença suspiramos. Na verdade, esta ambição não é perniciosa, nem o desejo de tal glória é de modo algum perigoso.

Ao comemorarmos os Santos, um segundo desejo se inflama em nós: que, tal como a eles, Cristo, nossa vida, Se nos manifeste também e que nos manifestemos também nós com Ele revestidos de glória. É que de momento a nossa Cabeça revela-Se-nos não como é, mas como encarnou por nós, não coroada de glória, mas rodeada dos espinhos dos nossos pecados. Envergonhemo-nos de sermos membros tão requintados sob uma Cabeça coroada de espinhos, à qual por agora a púrpura não proporciona honras mas afronta. Chegará o momento da vinda de Cristo; e já não se anunciará a sua morte, para sabermos que também nós estamos mortos e que a nossa vida está escondida com Ele.

Aparecerá a Cabeça gloriosa e com ela resplandecerão os membros glorificados, quando Ele transformar o nosso corpo mortal e o tornar semelhante ao corpo glorioso da Cabeça que é Ele mesmo.

Desejemos pois esta glória com total e segura ambição. Mas para podermos esperar tal glória e aspirar a tamanha felicidade, devemos desejar também ardentemente a intercessão dos Santos, a fim de nos ser concedido pelo seu patrocínio o que as nossas possibilidades não alcançam.