terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ordenação de novos diáconos e Vigília pela Vida nascente

Foi com grande alegria que, neste Domingo, I Advento, foram ordenados diáconos cinco seminaristas dos Olivais e um religioso dos Missionários da Consolata. A cerimónia decorreu na Igreja de Santa Maria de Belém (Jerónimos) e foi presidida pelo Nosso Cardeal-Patriarca, D. José Policarpo.

Perante a numerosa assembleia, Fernando Escola, Hugo Gonçalves, Ivo Santos, Marcos Castro, Rui Cantarilho e João Batista dos Santos afirmaram a vontade de servir o povo de Deus e continuar a seguir o Senhor.
Os novos diáconos consagraram-se ao serviço da Igreja pela imposição das mãos do Patriarca e pelo dom do Espírito Santo dispondo-se desta forma a auxiliar os sacerdotes e o povo Cristão.
Prometeram abraçar o celibato e aumentar o espírito de oração, imitando sempre nas suas vidas o exemplo de Cristo.
Queira Deus consumar o bem que neles começou.

Citamos mais abaixo para meditação, a oração consecratória* rezada pelo nosso Cardeal-Patriarca para ordenação dos diáconos, que antecedeu a entrega do livro do evangeliário aos novos diáconos – “Recebe o Evangelho de Cristo, que tens missão de proclamar. Crê o que lês, ensina o que crês e vive o que ensinas”



Ainda relacionada com o tema acima, decorreu, no dia 27 à noite, uma vigília de oração pela Vida Nascente, onde em comunhão com o Papa e com todo o mundo “pedimos a graça e a luz do Senhor para a conversão dos corações e demos um testemunho eclesial comum para uma cultura da vida e do amor”. Na vigília rezámos também pelos futuros diáconos que se preparavam para se entregarem totalmente ao Senhor para o serviço do Reino, uma expressão maior da vida e do serviço da vida, segundo o Cardeal-Patriarca, D. José Policarpo.

Vamos continuar a rezar por eles, para que continuem a dar o seu testemunho e sigam a Cristo ajudando-nos, povo Cristão, a percorrer o nosso caminho até à santidade.




*Oração consecratória
"Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, atendei e estai connosco.

Sois Vós que dais as graças, distribuís as ordens e organizais os ministérios. Deus imutável, renovais todas as coisas e com providência eterna as ordenais, por Jesus Cristo, vosso Filho, nosso Senhor, vossa palavra, vosso poder e sabedoria, e concedeis o que a cada tempo mais convém.

Vós fazeis crescer e dilatar-se o Corpo de Cristo, a vossa Igreja, na variedade dos dons celestes e na diversidade dos seus membros, unida pelo Espírito Santo num Corpo admirável. É o novo templo que se edifica quando estabeleceis os três graus dos ministros sagrados para servirem ao vosso nome, como já na primeira Aliança escolhestes os filhos de Levi para o serviço do templo antigo.

De igual modo, nos primórdios da Igreja, os Apóstolos do vosso Filho, guiados pelo Espírito Santo, escolheram sete homens de boa reputação, que os ajudassem no serviço quotidiano aos quais, pela oração e a imposição das mãos, confiaram o cuidado dos pobres, a fim de eles próprios se poderem dedicar mais plenamente à oração e ao ministério da palavra.

Olhai também agora, Senhor, com igual benevolência para estes vossos servos, que humildemente dedicamos ao ministério do diaconado para servirem ao vosso altar.

Enviai sobre eles, Senhor, nós Vos pedimos, o Espírito Santo, que os fortaleça com os sete dons da vossa graça, a fim de exercerem com fidelidade o seu ministério.

Brilhem neles as virtudes evangélicas: a caridade verdadeira, a solicitude pelos doentes e pelos pobres, a autoridade modesta, a rectidão perfeita e a docilidade à disciplina espiritual.

Resplandeçam em seus costumes os vossos mandamentos, para que o exemplo da sua vida suscite a imitação do povo santo.

Animados pelo bom testemunho da consciência, permaneçam em Cristo, firmes e constantes, de modo que, imitando na terra o vosso Filho, que não veio para ser servido mas para servir, com Ele mereçam reinar nos céus.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo."






Um abraço em Cristo e boa semana.

sábado, 27 de novembro de 2010

Comentário vocacional ao Evangelho do I Domingo do Advento

EVANGELHO (Mt 24, 37-44)
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Como aconteceu nos dias de Noé,
assim sucederá na vinda do Filho do homem.
Nos dias que precederam o dilúvio,
comiam e bebiam, casavam e davam em casamento,
até ao dia em que Noé entrou na arca;
e não deram por nada,
até que veio o dilúvio, que a todos levou.
Assim será também na vinda do Filho do homem.
Então, de dois que estiverem no campo,
um será tomado e outro deixado;
de duas mulheres que estiverem a moer com a mó,
uma será tomada e outra deixada.
Portanto, vigiai,
porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.
Compreendei isto:
se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão,
estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa.
Por isso, estai vós também preparados,
porque na hora em que menos pensais,
virá o Filho do homem.

“Porque não sabeis o dia em que virá o vosso Senhor.” - É fácil ficar obcecado ou distraído por pensamentos do fim dos tempos, mas o que Jesus vem dizer sobre o fim dos tempos, aplica-se muito directamente ao “nosso” fim dos tempos, tempos esses que nos são concedidos por Deus para vivermos e darmos fruto. A realidade do encontro final com Cristo é inescapável, e Ele quer que tenhamos plena consciência disso. E através da Palavra, o Senhor chega-nos com este aviso: para que não estejamos embalados na normalidade dos nossos dias, não deixemos que a rotina da vida (até mesmo as aventuras dessa rotina) e tudo o que por aqui nos mantém ocupados, sejam espinhos e cardos que sufocam a boa semente e não deixam que dê bom fruto: que nada disto nos cegue do verdadeiro sentido das nossas vidas.

O ladrão na noite. - Jesus conta esta parábola para enfatizar que estar sempre vigilante nos permitirá estar sempre prontos para nos encontrarmos com o Senhor. Não podemos adormecer ou pensar que Ele não vem, ou que a nossa vida não é importante.
   E existe também outro tipo de vigia, com outro propósito, que é a vigilância contra o Demónio, o inimigo da nossa alma, que está sempre à espreita como um leão que ruge, à procura de alguém para devorar. Por isso não nos deverá surpreender que ele não se afaste nunca, que as tentações voltem ou os maus hábitos venham de novo à superfície. A melhor vigia é um compromisso activo. Contra o nosso inimigo, a melhor defesa é o ataque; e a melhor preparação para a vinda de nosso Senhor é fazer uso e multiplicar os dons que Ele nos concedeu - estar sempre disposto a crescer na Sua graça, e nos seus frutos, que são obras de Amor.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Palavra de Deus e as Vocações - Nova Exortação Apostólica do Papa

Aqui ficam algumas passagens da nova Exortação Apostólica do Papa, a Verbum Domini.




Palavra de Deus e vocações
O Sínodo, quando sublinhou a exigência intrínseca que tem a fé de aprofundar a relação com Cristo, Palavra de Deus entre nós, quis também evidenciar que esta Palavra chama cada um em termos pessoais, revelando assim que a própria vida é vocação em relação a Deus.
Isto significa que quanto mais aprofundarmos a nossa relação pessoal com o Senhor Jesus, tanto mais nos damos conta de que Ele nos chama à santidade, através de opções definitivas, pelas quais a nossa vida responde ao seu amor, assumindo funções e ministérios para edificar a Igreja.
É neste horizonte que se entendem os convites feitos pelo Sínodo a todos os cristãos para aprofundarem a relação com a Palavra de Deus, não só como baptizados mas também enquanto chamados a viver segundo os diversos estados de vida.
(n.º 77)

Palavra de Deus e Ministros Ordenados
Bispos, presbíteros e diáconos não podem de forma alguma pensar viver a sua vocação e missão sem um decidido e renovado compromisso de santificação, que tem um dos seus pilares no contacto com a Bíblia.
(n.º 78)

Palavra de Deus e candidatos às Ordens Sacras
Os aspirantes ao sacerdócio ministerial são chamados a uma profunda relação pessoal com a Palavra de Deus, particularmente na lectio divina, porque é de tal relação que se alimenta a sua vocação: é com a luz e a força da Palavra de Deus que pode ser descoberta, compreendida, amada e seguida a respectiva vocação e levada a cabo a própria missão, alimentando no coração os pensamentos de Deus, de modo que a fé, como resposta à Palavra, se torne o novo critério de juízo e avaliação dos homens e das coisas, dos acontecimentos e dos problemas.
(n.º 82)

Palavra de Deus e vida consagrada
Relativamente à vida consagrada, o Sínodo lembrou em primeiro lugar que esta «nasce da escuta da Palavra de Deus e acolhe o Evangelho como sua norma de vida». Deste modo, viver no seguimento de Cristo casto, pobre e obediente é uma «“exegese” viva da Palavra de Deus». O Espírito Santo, por cuja virtude foi escrita a Bíblia, é o mesmo que ilumina «a Palavra de Deus, com nova luz, para os fundadores e fundadoras. Dela brotou cada um dos carismas e dela cada regra quer ser expressão», dando origem a itinerários de vida cristã marcados pela radicalidade evangélica.
Desejo fazer-me eco da solicitude e gratidão que o Sínodo exprimiu pelas formas de vida contemplativa, que, pelo seu carisma específico, dedicam boa parte das suas jornadas a imitar a Mãe de Deus que meditava assiduamente as palavras e os factos do seu Filho (cf. Lc 2, 19.51) e Maria de Betânia que, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra (cf. Lc 10, 38). Penso de modo particular nos monges e monjas de clausura que, sob a forma de separação do mundo, se encontram mais intimamente unidos a Cristo, coração do mundo.
(n.º 83)

Palavra de Deus e fiéis leigos
O Sínodo concentrou muitas vezes a sua atenção nos fiéis leigos, agradecendo-lhes o generoso empenho com que difundem o Evangelho nos vários âmbitos da vida diária: no trabalho, na escola, na família e na educação.
Jesus, no Evangelho de Mateus, indica que «o campo é o mundo, a boa semente são os filhos do Reino» (13, 38). Estas palavras aplicam-se de modo particular aos leigos cristãos, que realizam a própria vocação à santidade com uma vida segundo o Espírito que se exprime «de forma peculiar na sua inserção nas realidades temporais e na sua participação nas actividades terrenas».
(n.º 84)

Palavra de Deus, matrimónio e família
Por isso, nunca se perca de vista que a Palavra de Deus está na origem do matrimónio (cf. Gn 2, 24) e que o próprio Jesus quis incluir o matrimónio entre as instituições do seu Reino (cf. Mt 19, 4-8), elevando a sacramento o que originalmente estava inscrito na natureza humana. «Na celebração sacramental, o homem e a mulher pronunciam uma palavra profética de doação recíproca: ser “uma só carne”, sinal do mistério da união de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 31-32)».
Perante a difundida desordem dos sentimentos e o despontar de modos de pensar que banalizam o corpo humano e a diferença sexual, a Palavra de Deus reafirma a bondade originária do ser humano, criado como homem e mulher e chamado ao amor fiel, recíproco e fecundo.
De facto, pertence à autêntica paternidade e maternidade a comunicação e o testemunho do sentido da vida em Cristo: através da fidelidade e unidade da vida familiar, os esposos são, para os seus filhos, os primeiros anunciadores da Palavra de Deus.
O Sínodo recomendou também a formação de pequenas comunidades entre famílias, onde se cultive a oração e a meditação em comum de trechos apropriados da Sagrada Escritura. Os esposos lembrem-se de que «a Palavra de Deus é um amparo precioso inclusive nas dificuldades da vida conjugal e familiar».
(n.º 85)